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Como foi por nós afirmado o ano passado «o termos iniciado no ano
novo chinês foi mera coincidência...» Dado que o signo se paralelizava com o
nosso dragão céltico, ou Uroboro, tal constituiu para nós matéria de bom
auspício. Mau auspício são as chinesices portuguesas do abjecto acordo
Lusófono e isto não aceitamos... nem que tenhamos de passar a escrever em
Português do Brasil. E aí aplicaremos o trema.
E para comemorar os 400 anos do nascimento do Padre António
Vieira nada como voltarmos aos nossos primórdios, no nosso primeiro editorial, na altura homepage
da FozIber:
“Na cruz da religião nem o gosto tem uso,
porque não há indiferença para provar,
nem a vontade tem exercício», uma aplicação,
«porque não há vontade para não querer...»
Padre
António Vieira, Sermões, XII, §6, nº 185, pág.167
Tampouco tem sentido o verso ousar,
E, muito menos, o uso d'uma interjeição.
Dunqüe, o moralizador é o esclavagista
D'uma simples liberdade de se ser;
Sendo a diferença, ou a distância (como
quiserdes),
Entre o apático e o amnésico um ponto de vista,
Uma questão de termos, no sentido trivial do
ver.
Qualquer destes (termos) implicam uma
predisposição,
In-posta por factores alheios e, como vedes,
Toda a organização contraria e despista,
O senso espiritual, criando leis como razão de
ser,
Ao ponto de ser material o constituir como
nação...
Ao ser cabe as migalhas dos medos,
De toda aquela sujeição estúpida em que me
esqueço,
Que existo, possuo, afirmo e não quero porque
não!
Indiferença é a pedra de toque da libertação;
Mas eu, apático ou amnésico, sou por elementar
necessidade,
D'um sobreviver na raridade que não é mais
Do que não ser chateado pela imposição da
vontade dos demais.
Diário de
Yhonathan, Novembro de 1998
Tem razão quem tanto lutou pelos índios de Maranhão e pela
conservação da sacralidade, intocabilidade, da floresta amazónica sendo hoje e
há muito no Brasil, apelidado de grande palhaço, o que afirma quase no fim da
sua vida:
«Não há maior comédia que a minha vida; e quando quero ou chorar
ou rir, admirar-me ou dar graças a Deus ou zombar do mundo não tenho mais que
olhar para mim.»
E aqui quem tem olhos que entenda.
Embora ainda não descortinável a Arte de Religiões está já a
avançar através dos textos e imagens de Cremilde De La Rosa e serão ampliados a
outros aspectos – que não os mistérios das catedrais... ficaremos por algo mais
domável -, que completarão os textos já publicados concedendo-lhes uma mais
profunda dimensão, o que produzirá mais documentos.
A vídeocomunicação será muito mais acérrima porque se pretende
cobrir uma vasta área para os fins da Literatura de Religiões Comparadas assim
como para outros pontos analíticos das Literaturas. Para tal, as nossa viagens
por este planeta vão aumentar de sobremodo ao ponto de não mais podermos dizer
que somos de Cacilhas porque, na realidade e nesta matéria, nenhum de nós
saberá quando e se regressará. Não é trágico... é simplesmente bom!
Olhando o Extremo Oriente, este ano pauta-se pela novidade da
luta do povo Khmer para que a sua língua e cultura sejam autorizadas e
repostas. A FozIber não só já está em campo como foi a primeira equipe a entrar
nesta actividade dado os estreitos e diários contactos que temos com o Sudeste
Asiático. Se num empirismo filológico iniciámos as nossas
videoconferências e por estas mesmas alcançámos essas regiões e culturas deste
globo, seguramente que por aí prosseguiremos este ano até porque um compromisso
já está estabelecido entre nós e o povo Khmer. Mas e porque não queremos ser os
únicos – somos anti-empórios -, aqui vos deixamos um saboroso link para os
interessados em vasculhar e, quem sabe, mesmo participar nesta matéria http://members.fortunecity.com/picklefish/khmerabc.html avisando sobre os
pop-ups com que esta web aprecia nos presentear, mas o material ali contido
ultrapassa este de somenos pormenor.
Sabemos que muito mais temos que completar mas, lembramo-vos que
desde o início afirmámos que estas obras serão, ou parecerão, sempre inacabadas
dado que o nosso método é «quando estamos próximo do ninho de novo levantamos
voo para ir buscar mais uma minhoca.»
Para todos um feliz ano novo e, como já várias vezes afirmámos,
contem connosco comentando-nos e, acima de tudo, apresentando os vossos textos
que seguramente os publicaremos sem que a propriedade sobre eles deixe de ser
vossa.
Yochanan
Hayash
7 de
Fevereiro de 2008
Imagem de fundo
de Sumi-e Kazu Shimura,
publicada com a sua permissão.